Pesadelo dos brasileiros e de governos em diversos períodos da história, a inflação atinge arduamente o bolso dos consumidores. O efeito da alta dos preços, no entanto, nem se compara com o cenário avassalador criado por um período persistente de deflação.

Na avaliação de economistas ouvidos, qualquer período prolongado marcado por queda dos preços desestimula o consumo das famílias, reduz investimentos e freia o andamento do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA, afirma que a deflação insistente também não é positiva por sinalizar que a “saúde da economia não está boa” por reduzir a produção de bens e serviços. “Se as empresas produzem menos, há menos emprego e menos renda, o que não é algo positivo”, explica ele.

Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos, conta que o temor da deflação era a grande preocupação antes da pandemia nas economias desenvolvidas por deixar a produtividade estagnada.

“Se ter um descontrole de preços em alta é muito ruim por reduzir o valor do salário recebido pelos trabalhadores, a deflação é ainda pior, porque as pessoas antecipam que os preços vão cair, não consomem e não investem com a expectativa de que vão pagar menos lá na frente”, destaca Tatiana.

Em julho, o Brasil registrou a maior deflação da história, a primeira desde maio de 2020, com a redução pontual dos preços dos combustíveis e das contas de luz. A queda representa um simples alívio como resultado da isenção fiscal para os itens, que têm peso significativo no cálculo do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

“Como a inflação no Brasil estava subindo demais e acumulava uma alta próxima de 12% no acumulado dos últimos 12 meses, isso é bom porque a gente consegue ver um sinal de queda, mas não vai ser positivo se acontecer em períodos consecutivos”, ressalta Nishimura.