A Petrobras anunciou ontem a primeira redução de preços para a gasolina no ano, de 4,9%, ou menos de R$ 0,20 por litro, que começa a vigorar hoje nas refinarias da empresa. A decisão, reflexo do movimento de baixa do barril de petróleo no exterior, deve levar a uma queda de 0,5 ponto porcentual na inflação deste mês e de até 0,10 ponto no índice de agosto, de acordo com cálculos do economista André Braz, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Os preços do diesel não foram alterados.

“A cada 1% de queda no preço da gasolina, a inflação recua 0,07 ponto porcentual. Como a redução de 4,9% nos preços da gasolina é na refinaria, ela não chega nessa mesma magnitude à bomba, que não tem gasolina pura, mas do tipo C, com 27% de álcool anidro. No fim, grosso modo, mais ou menos um terço dessa queda nas refinarias vai chegar de fato à bomba, pouco menos de 2%”, calcula Braz. “Na prática, uma família de baixa renda, que gasta muito com alimentos, não vai perceber nenhuma melhora na inflação a partir da queda do preço da gasolina, simplesmente porque não chega perto do posto de gasolina.”

Segundo a Petrobras, a decisão foi técnica, apesar da pressão do presidente Jair Bolsonaro e de aliados no Congresso para que o preço dos combustíveis seja reduzido. Foi também a primeira decisão anunciada pela atual direção, agora sob o comando de Caio Paes de Andrade. Minutos antes do anúncio do corte de preços, Bolsonaro disse a apoiadores que, com o novo presidente, a Petrobras iria “achar seu rumo agora”.

A decisão sobre reajustes é tomada pelo presidente da companhia e por mais dois diretores, o Financeiro e o de Comercialização. Desde 2016, a Petrobras pratica a chamada Política de Paridade de Importação (PPI), pela qual a empresa tem de levar em conta os preços do petróleo no exterior, a variação do dólar e o custo de importação antes de definir os preços dos combustíveis no varejo.

Na Bolsa de Valores, as ações ON da Petrobras subiram 1,12%, enquanto as preferenciais avançaram 2,03%, com a avaliação dos investidores de que o Planalto deve, a partir de agora, diminuir um pouco a pressão sobre a empresa.

Em nota, a companhia afirmou “que ajustes de preços de produtos são realizados no curso normal de seus negócios e seguem as suas políticas comerciais vigentes”. Segundo uma fonte da companhia, o reajuste era necessário porque o preço da gasolina se estabilizou, enquanto o do diesel continua volátil, e a estatal não poderia deixar de reduzir o preço só para não parecer que foi um pedido de Bolsonaro. Única concorrente da Petrobras no mercado brasileiro, a Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada no fim do ano passado, já havia reduzido a gasolina em 7% na semana passada.

“Desta vez, o que realmente trouxe o preço (da gasolina) da Petrobras para baixo foi o movimento do mercado internacional de petróleo e derivados, em queda. A gasolina caiu bem no mundo. O preço nacional poderia ter caído até mais, não fosse o dólar, que não ajudou muito subindo nos últimos dias”, disse Pedro Shinzato, analista da StoneX.

De acordo com ele, a companhia poderia ter reduzido também o preço do diesel, uma vez que haveria espaço para diminuição da paridade internacional. Shinzato afirma que, pela manhã, antes do anúncio da redução para a gasolina, o preço internacional do combustível estava 6,3% menor do que o praticado pela empresa brasileira -- cerca de R$ 0,26 por litro. Com a redução definida de R$ 0,20, portanto, a Petrobras se aproxima dos preços internacionais, mas ainda vai praticar preço 1,3% acima da média verificada no exterior -- uma diferença de R$ 0,05, segundo as cotações internacionais.