A invasão da Ucrânia pela Rússia derrubou as bolsas internacionais nesta quinta-feira (24) e fez o preço do petróleo passar de US$ 100 pela primeira vez desde 2014, com o barril do tipo Brent atingindo US$ 105.

Outros ativos considerados refúgios seguros, como o ouro, o dólar e o iene japonês, se valorizaram num momento de tensão elevada nos mercados.

Por volta das 10h50 (horário de Brasília), o índice DAX da bolsa da Alemanha – a maior economia da Europa e muito dependente de insumos energéticos russos – caía 4,90%. As bolsas de Paris e Madrid tinham baixa em torno de 4%. Em Londres, o índice FTSE recuava 3,01%.

A Bolsa de Valores de Moscou chegou a suspender a operações após abrir com queda de mais de 10%, e recuava 33,12%. Ao longo das negociações, chegou a tombar 50%. Já o rublo caiu 7% em relação ao dólar e atingiu seu mínimo histórico, mas reduziu a desvalorização após intervenção do Banco Central russo.

A Bolsa de Tóquio encerrou a sessão de quinta-feira em baixa de 1,8%. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 2,03%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 3,21%. Já a bolsa de Sydney tombou 2,99%.

Nos EUA, os índices futuros tinham queda de mais de 2%, sinalizando um dia de perdas também em Wall Street. Com esse desempenho, o Nasdaq ficava a caminho de cair 20% em relação a um pico recorde de novembro, a primeira distância dessa magnitude desde março de 2020, na ocasião da chegada da pandemia de Covid-19.

"Neste momento, é impossível apostar em qualquer cenário", diz Ipek Ozkardeskaya, analista da empresa de investimentos SwissQuote, para quem este "é o pânico nos mercados".

O porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov afirmou que a Rússia criou ferramentas de segurança suficientes para sobreviver à reação "emocional" do mercado financeiro à invasão russa da Ucrânia.

O preço de petróleo barril do tipo Brent, a referência do mercado, ultrapassou a barreira de US$ 100 pela primeira vez desde 2014. Por volta das 9h15, o preço do barril de Brent subia 8,27%, a US$ 104,85. O petróleo WTI avançava 8,07%, a US$ 99,54.

A escalada militar eleva os temores sobre o abastecimento de produtos básicos chave, como petróleo, trigo e metais, em meio a uma demanda crescente na reabertura das economias, após os fechamentos provocados pela pandemia da Covid-19.

Grandes petroleiras, como BP, Exxon Mobil e Shell, têm investimentos significativos na Rússia.

"O suprimento de petróleo da Rússia vai desaparecer do dia para a noite se sofrer sanções, e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não consegue produzir de forma rápida o suficiente para compensar", diz o economista Howie Lee, da OCBC.

Desde o início do ano, o petróleo já tinha subido mais de US$ 20 por conta do temor de que a Europa e os Estados Unidos impusessem sanções no setor energético da Rússia e afetasse o suprimento global de energia.

Embora não tenha havido ainda imposição de sanções sobre esse setor, países ocidentais e o Japão impuseram novas sanções contra a Rússia na terça-feira (24) e prometeram ampliá-las caso Moscou invadisse a Ucrânia, o que acabou ocorrendo.

A disparada do petróleo coloca mais pressão sobre os preços dos combustíveis no Brasil. Desde 2016, a Petrobras passou a adotar para suas refinarias uma política de preços que se orienta pelas flutuações do preço do barril de petróleo no mercado internacional e pelo câmbio.