Acionistas da Eletrobras aprovaram ontem, em Assembleia-Geral Extraordinária (AGE), o início do processo de privatização da empresa. O sinal verde, porém, aconteceu um dia depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu a dificuldade de realizar a operação ainda no primeiro semestre deste ano, como previa o governo.

Em um encontro que registrou grande abstenção e realizado virtualmente por causa da pandemia, os acionistas aprovaram a cisão das subsidiárias Eletronuclear e da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, a capitalização da empresa em bolsas de valores, com diluição da participação da União, e as condições financeiras para a desestatização.

Ficou decidido que a União ficará com 45% da Eletrobras. Atualmente, o governo tem 51,82% do capital ordinário, e o Banco Econômico de Desenvolvimento Social (BNDES), 16,78%, segundo site da estatal. Se em uma primeira oferta o objetivo não for alcançado, será feito um oferecimento secundário de ações. A aprovação pelos acionistas já era esperada pelo mercado.

De acordo com a economista, advogada e ex-diretora de privatização do BNDES, Elena Landau, a venda da Eletrobras é positiva para os acionistas. “Os minoritários da Eletrobras têm todo interesse de aprovar a capitalização. Só assim o acionista vai ter a certeza absoluta que não vai ser lesado por um governo intervencionista.”

Já o analista da Mirae Asset, Pedro Galdi, observou que, em ano eleitoral, esse tipo de operação é mais complicada. “Os estrangeiros só estão olhando commodities, pode ser, sim, aprovada, mas acho difícil o processo de privatização seguir adiante.”